Moinho de Água do Freixo 

Portugal, Évora, Mora, Pavia

Estação de moagem composta por 3 corpos, independentes e afastados entre 10 a 20m, correspondentes a moinho de água, casa do moleiro e estábulo. O moinho é do tipo de roda horizontal sendo a água conduzida aos caboucos por sistema de levadas.Todas as estruturas são de pedra, em aparelho rusticado ou ciclópico, parcialmente rebocados, aragamasados ou insonsos. As coberturas, totalmente desaparecidas, seriam de duas águas na casa do moleiro e moinho e de uma água no estábulo.

Foto Moinho de Água do Freixo / Zé Guitarra

Descrição

Estação de moagem composta por Moinho e levadas, Casa do Moleiro a c. de 20m a NE. e Estábulo a c. de 10m a SO. desta. A Casa do Moleiro e o Estábulo, acompanham o desnível do terreno e deitam as fachadas principais para a ribeira e moinho. Volumes simples, dispostos num único piso, massas dispostas na horizontal; fachadas de um registo, de pano único, em aparelho rusticado, de pedra, argamassado ou insonso, com blocos, irregulares ou regulares, de grande dimensão (sobretudo ao nível do embasamento ou dos cunhais em perpianho), alternados com pedra miúda pedra miúda, de enchimento e travamento, ou de dimensão média; vestígios de rebocos no Estábulo e Casa do Moleiro.

MOINHO: planta rectangular, longitudinal, simples, disposta no sentido NO. - SE., restando apenas as fachadas de aparelho rusticado argamassado, mais regular que o da Casa do Moleiro e do Estábulo. Fachada principal, num dos lados mais pequenos, a NO., rasgada à direita por porta de verga recta, constituída por lintel pétreo; remate em empena, truncada no vértice, onde assentaria a viga mestre da cobertura, totalmente desaparecida. Fachada posterior idêntica mas rasgada superiormente por pequeno nicho quadrado, axial, ladeado simetricamente por outros dois. Fachada lateral SO. com remate recto, parcialmente embebida em afloramento rochoso; tendo adossado, ao centro, corpo mais baixo, de planimetria em U aberto a SO., com os braços parcialmente embebidos ou adossados em afloramentos rochosos; possui cobertura plana; na sua fachada lateral NO., pequeno murete adossado, mais baixo; fachada principal, a SO., ligeiramente mais elevada, reforçada por pequeno talha-mar triangular e rasgada por dois vãos rectangulares, dispostos na vertical, por onde se fazia a entrada de água para accionamento das mós localizadas na fachada oposta, a NE.; estes vãos, rasgados na espessura da parede, possuem vergas constituídas por lintel pétreo; nas faces interiores dos braços deste corpo e do talha-mar sulcos de por onde deslizavam as comportas, já desaparecidas; a fachada posterior deste corpo, totalmente adossada à parede do moinho, apresenta remate constituído por fiada de 6 tijolos com argamassas de cal. Fachada lateral NE. com remate recto, rasgada superiormente por duas linhas de fenestração, cada uma formada por três pequenas aberturas quadradas, a central axial; inferiormente rasgam-se dois caboucos, em arco irregular, rasgados na espessura da parede. Interior: restam apenas as paredes, apresentando a parede SE., ao centro pequeno nicho quadrado.

CASA DO MOLEIRO: planta rectangular em L irregular de haste curta, disposta no sentido E. - O., restando restando apenas as fachadas, parcialmente alicerçadas e embebidas na penedia do terreno. Fachada principal a E..

ESTÁBULO: planta rectangular simples, disposta no sentido SE. - NO., restando apenas as fachadas, parcialmente alicerçadas e embebidas na penedia do terreno. Fachada principal a NE., de pano único e remate recto, rasgado à esquerda por dois vãos rectangulares, arruinados (primitivas portas de acesso à casa dos animais). Fachadas laterais idênticas, de pano único, cegas, com remate em meia empena. Fachada posterior de pano único, rasgada à esquerda por vão de acesso ao celeiro. Interior: dois compartimentos, independentes, correspondentes ao celeiro e à casa dos animais (com o dobro do comprimento) restando apenas a parede divisória entre ambos e as fachadas.

Acessos

EN 251, a partir da saída da povoação, no sentido Pavia - Vimieiro, ao 1,5Km, virar à esquerda por caminho de terra batida; a c. de 100m o caminho bifurca para a esquerda; seguir para S.; o moinho fica a c. de 300m da EN 251, junto à ribeira de Têra.

Protecção

Inexistente

Grau

3 – imóvel ou conjunto de acompanhamento que, sem possuir características individuais a assinalar, colabora na qualidade do espaço urbano ou na ligação do tempo com o lugar, devendo ser preservado em tal medida. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Valor Concelhio / Imóvel de Interesse Municipal e outras classificações locais.

Enquadramento

Rural, fluvial, isolado, em magnífico enquadramento paisagístico, na margem S. da Ribeira do Freixo, junto à confluência com a Ribeira deTera; terreno muito acidentado caracterizado por granitos e rochas afins, com presença de alguns fenómenos geológicos designados por marmitas de gigante e caos de blocos. Predomina a vegetação arbustiva e montado, característicos do clima mediterrânico, com maior incidência para a Azinheira (quercus ilex), e Esteva; presente também o Rododendro. Nas proximidades, seguindo o curso da Ribeira de Tera, fica o Moinho do Sapo, a c. de 350m para NO., o Moinho do Cláudio, c. de 200m para NNE., o Moinho da Figueira, c. de 350m para NE., e o Moinho da Misericórdia, c. de 800m a NE.. Em termos de avifauna predominam os passeriformes, com destaque para o Guarda-rios (Alcedo atthis) e o Melro (Turdus merula).

Descrição Complementar
Utilização Inicial

Extração, produção e transformação: moagem

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 18 - 19 - data provável de construção; 1870, 17 de Julho - posturas da CMM revogando as anteriores, nas quais surge legislação vária relativa aos moinhos de água concelhios, nomeadamente proibição de moer trigo nas pedras barroqueiras (próprias para centeio) ou de moer grão fora do concelho, bem como a obrigação de todos os moleiros "de pé de mó, como os maquilões (os moços que levavam a farinha ao domicílio) ou carregadores", de prestarem fiança por todo o mês de Janeiro e obrigação dos forneiros de fornos públicos de cozerem o pão e "mais artigos precisos a toda e qualquer pessoa".

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Pedra, tijolo, argamassa

Bibliografia

Câmara Municipal de Mora, Código de Posturas da Câmara Municipal do Concelho de Mora, Lisboa, Typographia Universal, 1870.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Autor e Data

Qual Projecto, Ldª. 2001 / Rosário Gordalina 2011

Fonte

http://www.monumentos.pt

Imagens 

© 2013 by Associação dos Amigos da Natureza de Cabeção. Todos direitos reservados.

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