Moinho de Água do Balança

Portugal, Évora, Mora, Pavia

Moinho de água, de roda horizontal, de rodízio, edificado em finais do Séc. 18 - inícios do séc. 19, de 1 único aferido. Ao invés da maioria de outros moinhos localizados na envolvente, conjecturalmente bastante mais antigos, o Moinho do Balança não se destinava a submersão total ou parcial, carecendo assim de estruturas robustas destinadas a suportar o impacto das águas e apresentando uma normal cobertura em telhado de duas águas. Como a maioria dos moinhos da região, dispõe-se no sentido N. - S., transversalmente ao leito do rio e possui porta de acesso ao interior rasgada, como habitualmente, descentrada, num dos lados menores. A água era conduzida até aos caboucos através de um sistema de levadas em pedra, com comportas e ladrões. A casa de habitação e a cocheira localizam-se, como habitualmente, a N., a c. de 20m. 

Foto Moinho do Balança ou Misericordia

Descrição

Estação de moagem composta por moinho com casa do motor adossada a O., açude a montante e estruturas de apoio, constando de Casa do moleiro e Cocheira, a S., viradas à ribeira e a c. de 20m, a N., do moinho.

MOINHO: planta simples rectangular, massa disposta na horizontal, com cobertura homogénea em telhado de 2 águas, apresentando na aba O., chaminé de pano, disposta paralelamente à fachada S.. Fachadas de pano único, rebocadas e caiadas de branco com embasamento pintado de amarelo ocre; nos lados maiores o remate é reto em beirado saliente e nos menores em empena. Vãos simples rasgados na espessura dos muros, desprovidos de molduras. Na fachada lateral S. rasga-se, descentrada e à direita, a única porta de acesso ao interior, com soleira elevada, pétrea; possui portada de madeira munida de gateira quadrada e portinhola rectangular. Na fachada oposta, virada à ribeira, rasga-se, ao centro, janela rectangular. Fachada E. cega sendo afrontada por adro sob o qual se faz a entrada das águas, a partir de 2 comportas e levada a E., conduzidas por sétias até aos rodízios; na parede N. da levada, junto ás comportas, ladrão provido de comporta para escoamento do caudal de água em excesso. Na fachada O. adossa-se o corpo da Casa do Motor: de menor dimensão apresenta planta rectangular, com cobertura homogénea em telhado de 2 águas. Fachadas de pano único, rebocadas e caídas de branco; nos lados maiores o remate é reto em beirado saliente e nos menores em empena. Fachadas S. e N. recuadas face ao corpo do Moinho, a S. rasgada por porta e a N. por janela, ambos os vãos, simples, axiais; do lado esquerdo da fachada S. adossa-se pequeno corpo para as instalações especiais. Fachada O. rasgada por pequena janela rectangular.

INTERIOR: casa do moleiro com tecto de madeira, de 2 vertentes e vigamento à vista com trave mestra assente em pilar central; pavimento pétreo, e parcialmente cimentado, reutilizando mós inteiras ou fragmentos das mesmas. Paredes rebocadas e caiadas de branco, molduras interiores dos vãos em ripado de madeira. Na parede O. bailéu onde assenta o casal de mós, sendo a base da mó fixa constituída por pouso reutilizado; à esquerda do bailéu a tarracha e a abertura do aliviadouro; na parede O., frente ao casal de mós vestígios do sistema onde se fixavam a moega e a quelha; à direita do casal de mós o mecanismo do motor eléctrico.

ESTRUTURAS DE APOIO: Casa do Moleiro e Cocheira constituindo dois corpos articulados, de planta rectangular, com cobertura homogénea para cada corpo em telhado de 2 águas, em telha de canudo de fabrico artesanal na Casa do Moleiro. Fachadas de pano único, em alvenaria de pedra irregular, rebocadas e/ou apenas caiadas de branco, as da Cocheira com embasamento pintado de amarelo ocre; nos lados maiores o remate é reto em beirado saliente e nos menores em empena. Casa do Moleiro com fachada principal rasgada por porta simples, axial, munida de soleira e portada, semelhantes às do moinho; à direita o corpo saliente da chaminé de pano. Fachada lateral E. cega, semi-enterrada reforçada por contraforte em rampa de aparelho de pedra irregular. Fachada lateral O. tendo adossado o corpo, saliente da cocheira. Fachada posterior cega e semi-enterrada.

Acessos

E. N. 251; a partir da saída da povoação, em direcção ao Vimieiro, após 1,5KM virar à esquerda por caminho de terra batida; após atravessar passagem de pedra sobre o Ribeiro do Freixo prosseguir por c.de 500m em direcção a N. rumo à Ribeira de Tera; inflectir depois para NE; o moinho fica a c. de 350m, na margem S. da ribeira.

Protecção

Inexistente

Grau

3 – imóvel ou conjunto de acompanhamento que, sem possuir características individuais a assinalar, colabora na qualidade do espaço urbano ou na ligação do tempo com o lugar, devendo ser preservado em tal medida. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Valor Concelhio / Imóvel de Interesse Municipal e outras classificações locais.

Enquadramento

Rural, fluvial, isolado, em discreto vale, na margem S. da Ribeira de Tera e não muito distante da confluência com a Ribeira do Freixo, a SO.; terreno acidentado com alguns afloramentos rochosos. Predomina a vegetação arbustiva e montado, característicos do clima mediterrânico, com maior incidência para a Azinheira (Quercus ilex) e a Oliveira; junto ao moinho destaca-se uma grande laranjeira octogenária *1. Nas proximidades, seguindo o curso da Ribeira de Tera para O., encontram-se o Moinho da Figueira (v. PT040707040054), o Moinho do Cláudio (v. PT040707040053), a SO. o Moinho do Freixo PT040707040052) e, mais distante, sempre a O., o Moinho do Sapo (v. PT040707040051).

Descrição Complementar

No sobrado do moinho, encostados à parede, junto ao ângulo NE um casal de mós; na parede O., junto à porta, restos de um mecanismo motor, constituído pelo que parece uma pela e rodízio ou o eixo de uma roda vertical com roda e entrosga.

Utilização Inicial

Extração, produção e transformação: moagem

Utilização Actual

Extração, produção e transformação: moagem / Armazenamento e logística: armazém

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 18 - 19 - provável data de construção do moinho e das estruturas de apoio, que pertenciam à bisavó de Augusto Maria Balança, pai do moleiro João Augusto Rodrigues Balança *1; 1870, 17 de Julho - posturas da Câmara Municipal de Mora, revogando as anteriores, nas quais surge legislação vária relativa aos moinhos de água do Concelho, nomeadamente proibição de moer trigo nas pedras barroqueiras (próprias para centeio) ou de moer grão fora do concelho, bem como obrigação de todos os moleiros "de pé de mó, como os maquilões (os moços que levavam a farinha ao domicílio) ou carregadores", de prestarem fiança por todo o mês de Janeiro e obrigação dos forneiros de fornos públicos de cozerem o pão e "mais artigos precisos a toda e qualquer pessoa"; 1921 - nascimento no local de João Augusto Rodrigues Balança, trisneto do fundador; Séc. 20 - instalação de motor eléctrico que era utilizado durante o estio , uma vez que a água só chegava à estação de moagem durante o inverno ou em períodos de cheias; moía-se aveia, cevada e fava para fazer farinha rama, a ser crivada na joeira *1; 1980, até c. de - a produção de farinha do moinho destinava-se maioritariamente à engorda de suínos *1; 2001 - João Augusto Rodrigues Balança exercia ainda, esporadicamente, a sua actividade de moleiro neste moinho.

Dados Técnicos

Estruturas de paredes portantes

Materiais

Pedra, madeira, telha cerâmica de fabrico artesanal e industrial

Bibliografia

Câmara Municipal de Mora, Código de Posturas da Câmara Municipal do Concelho de Mora, Lisboa, Typographia Universal, 1870.

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Séc. 20 - instalação de motor eléctrico.

Observações

*1 - segundo informação oral do actual proprietário.

Autor e Data

Rosário Gordalina 2012

Fonte

http://www.monumentos.pt/

Imagens

© 2013 by Associação dos Amigos da Natureza de Cabeção. Todos direitos reservados.

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