Moinho de Água do Sapo

Portugal, Évora, Mora, Pavia

Pequeno moinho de água, de rodízio, de dois aferidos, de submerssão (parcial ou total durante o Inverno), como atestam a estrutura robusta, os ângulos boleados, a cobertura, que seria em abóbada pétrea (já desaparecida) e os alçados cegos exceptuado as aberturas dos cubos, dos respiradouros, caboucos e porta de acesso, oposta à ribeira; esta rasga-se num dos lados maiores, como acontece no Moinho do Madeira na vizinha freguesia de Cabeção. Apresenta planta rectangular disposta paralelamente ao curso de água. Ao contrário dos seus congéners, parece não ter existido qualquer estrutura de apoio como estábulo, forno ou casa de moleiro. 

Foto Moinho de Água do Sapo

Os arcos alteados dos caboucos, em número de dois, rasgam-se descentrados na fachada posterior, e o seu espaço interior apresenta coberturas em falsa cúpula sobre rudimentares pendentes; cubos individualizados para cada cabouço, integralmente de pedra, de perfil quadrado.      

Descrição

Planta simples rectangular, massa disposta na vertical. Fachadas de pano único, em alvenaria de pedra mista argamassada, alternando blocos ciclópicos com outros de dimensão média ou miúda; ângulos boleados; embasamentos parcialmente alicerçados na penedia do leito do rio ou do terreno. Fachada principal a SO. de remate recto, rasgada à esquerda por porta simples de verga recta; inferiormente, na extermidade O., rasgam-se, ao nível do solo, e diagonalmente, as duas aberturas dos cubos, de perfil quadrado, apoiados em bloco de pedra irregular, afeiçoado, disposto na transversal; à esquerda das aberturas dos cubos, murete de alvenaria de pedra mista, assinalando uma provável presa na qual se acumulava a água conduzida a partir do leito da ribeira por uma levada. Fachadas laterais cegas, de remate em empena. Fachada posterior NE. de remate recto, rasgada inferiormente pelos arcos alteados dos dois caboucos, descentrados, com aduelas irregulares de dimensão média e partilhando pilar, diante dos caboucos vestígios do enxogadouro.

INTERIOR: espaço único parcialmente soterrado pelo acumulamento de areias que se elevam por vezes a 3/4 do pé direito das paredes; estas são de alvenaria não rebocada, apresentando superiormente, colocadas nos extremos, duas pequenas aberturas quadradas, com vergas ultrapassando as ombreiras *1; a porta de acesso apresenta verga interior constituída por lintel de pedra, mais largo que as ombreiras, e com vestígios do encaixe das dobradiças e gonzos da portada; junto à parede NE. duas aberturas circulares, conduzem directamente aos caboucos, através das quais passavam os veios dos mecanismos de moagem que se fixavam às mós e aos rodízios (ambos desaparecidos), que giravam no interior dos caboucos sob a acção da água conduzida através dos dois cubos que percorrem, no sentido NE. - SO., em ligeira curva descendente, a parte inferior do moinho; os cubos são integralmente de pedra, com paredes formadas por grossos blocos de pedra grosseiramente aparelhada e pavimentos de lages de pedra, dispostas em socalcos. Os caboucos apresentam planta rectangular ovalada e comunicam entre si por abertura rectangular rasgada na parede divisória; apresentam cobertura em falsa cúpula assente em pendentes rudimentares; pavimentos de areia e seixos.

Acessos

Monte da Lapeira. EN 251, na direcção Pavia - Vimieiro, virar à mão esquerda a c. de 1,5km e seguir por caminho de terra batida; a c. de 100m o caminho bifurca para a esquerda; seguir nessa direcção por c. de 500m junto à Ribeira de Têra. O moinho fica na margem S. da Ribeira de Têra.

Protecção

Inexistente

Grau

3 – imóvel ou conjunto de acompanhamento que, sem possuir características individuais a assinalar, colabora na qualidade do espaço urbano ou na ligação do tempo com o lugar, devendo ser preservado em tal medida. Incluem-se neste grupo, com excepções, os objectos edificados classificados como Valor Concelhio / Imóvel de Interesse Municipal e outras classificações locais.

Enquadramento

Rural, fluvial, isolado, em magnífico enquadramento paisagístico, na margem S. da Ribeira de Têra. A uma cota de 138m, em terreno bastante acidentado caracterizado por granitos e rochas afins, com presença de alguns fenómenos geológicos designados por marmitas de gigante e caos de blocos dos quais se destaca, na margem oposta a c. de 20m a N. do moinho, a Pedra do Sapo, cuja configuração zoomórfica, dá o nome ao moinho; nas margens pequenas enseadas de areia presentes também na área que rodeia o moinho, assinalando a presença do açude já desaparecido. Predomina a vegetação arbustiva e montado, característicos do clima mediterrânico, com maior incidência para a Esteva (Cistus ladanifer), o Sobreiro (Quercus suber), a Azinheira (Quercus rotundifolia), o Rododendro (Rhododendron), o Eucalipto (Eucalyptus globulus) em pequenos agrupamentos isolados e, pontualmente o Pinheiro-manso (Pinus pinea). Na proximidade, a c. de 1Km para SE, fica o Moinho do Claúdio e o Moinho do Freixo. A nível da fauna encontramos, entre outros, o Javali (Sus scrofa), a Raposa (Vulpes vulpes), o Rato-de-cabrera (Microtus cabrerae), o Texugo (Meles meles), a Lontra (Lutra lutra); nas linhas de água vários anfíbios e répteis como a Rã-verde (Rana perezi), a Rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi), o Sapo-parteiro (Alytes obstetricans) e a Cobra-de-água-viperina (Natrix maura); no campo da avifauna, destaque para a comunidade de rapinas, com populações numerosas de Águia-de-asa-redonda (Buteo buteo) e de Águia-calçada (Hieraetus pennatus), marcando presença também, na Primavera, a Águia-cobreira (Circaetus gallicus), o Bútio-vespeiro (Pernis apivorus) e a Ógea (Falco subbuteo); vários passeriformes, com destaque para os Chapins, Toutinegras, o Rouxinol (Luscinia megarhychos) e o Rabirruivo-de-testa-branca (Phoenicurus phoenicurus).

Descrição Complementar
Utilização Inicial

Extração, produção e transformação: moagem

Utilização Actual

Devoluto

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 18 - 19 - provável data de construção; 1870, 17 de Julho - posturas da Câmara Municipal de Mora, revogando as anteriores, nas quais surge legislação vária relativa aos moínhos de água do Concelho, nomeadamente proibição de moer trigo nas pedras barroqueiras ( próprias para centeio ) ou de moer grão fora do concelho, bem como obrigação de todos os moleiros "de pé de mó, como os maquilões ( os moços que levavam a farinha ao domícilio ) ou carregadores", de prestarem fiança por todo o mês de Janeiro e obrigação dos forneiros de fornos públicos de cozerem o pão e "mais artigos precisos a toda e qualquer pessoa".

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Pedra

Bibliografia
Documentação Gráfica

Cartografia, CP11, folha 25 e CP3, folha 409.

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Autor e Data

Rosário Gordalina 2007

Fonte

http://www.monumentos.pt

Imagens

© 2013 by Associação dos Amigos da Natureza de Cabeção. Todos direitos reservados.

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